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Representar · Como mostramos aquilo que ainda não existe

Por que uma planta baixa é cortada a 1,50 m?

20 de setembro de 2026 · Equipe Lev · 4 min de leitura

Isométrica de um apartamento cortado por um plano horizontal, com o topo das paredes em preto e a sala mobiliada à vista

Toda planta baixa é um corte. A gente esquece porque ela parece uma vista de cima, mas não é. A vista de cima de um prédio mostra o telhado. Para enxergar os cômodos é preciso passar um plano horizontal pela construção, tirar o que está acima dele e olhar para baixo. O que sobra é a planta.

A pergunta é a que altura passar esse plano. A resposta que todo mundo decora no primeiro semestre é 1,50 m. Quase ninguém explica por quê.

De onde vem o número

No Brasil a referência é a NBR 6492, a norma de representação de projetos de arquitetura. Ela define a planta como a vista superior de um plano de corte horizontal, situado a aproximadamente 1,50 m do piso.

Repare no aproximadamente. Não é um número sagrado. É uma altura que costuma funcionar, e vale entender por que ela funciona.

O que mora a 1,50 m

Pense numa parede comum de apartamento, do piso ao teto, e no que existe em cada faixa de altura.

  • Perto do piso, até mais ou menos 1 m: bancadas, mesas, camas, sofás e o peitoril da maioria das janelas.
  • No meio da parede: o vão das janelas e o vão das portas.
  • Dos 2 m para cima: vergas, vigas, forro e o que fica pendurado no alto.

Um plano a 1,50 m passa pelo meio da faixa do meio. Por isso ele atravessa portas e janelas ao mesmo tempo. Se o corte fosse a 50 cm do piso, pegaria as portas e perderia quase todas as janelas, que apareceriam como parede cheia. Se fosse a 2,30 m, passaria acima da maioria das vergas, e a planta mostraria cômodos sem abertura nenhuma.

Planta de alvenaria do apartamento, só com as paredes em preto: cada interrupção da parede é uma abertura que o plano de corte atravessou
Planta de alvenaria do apartamento, só com as paredes em preto: cada interrupção da parede é uma abertura que o plano de corte atravessou

A mesma altura organiza o resto do desenho em três situações:

  1. O que o plano atravessa aparece cortado, com o traço mais forte: paredes, pilares, esquadrias.
  2. O que está abaixo do plano aparece em vista, com traço fino: bancada, louça, piso.
  3. O que está acima do plano não é visto. Quando importa, entra tracejado, como projeção: viga, beiral, o vazio de um mezanino.

Há dois empates, e a convenção resolve os dois. O armário aéreo da cozinha começa perto dessa altura, às vezes um pouco abaixo. Ele vai tracejado, como elemento acima do plano, para não esconder a bancada. Já a geladeira e o guarda-roupa são atravessados pelo plano, mas ninguém desenha uma geladeira cortada, porque isso não informa nada. Mobiliário e equipamento entram pelo contorno, como se vistos de cima. Cortado, com traço forte, fica o que é construção.

Vista técnica de uma parede do mesmo apartamento, com três portas, bancada com banqueta, geladeira e armário alto. Imagine uma linha horizontal a 1,50 m do piso: ela cruza as portas, passa acima da bancada e abaixo do armário
Vista técnica de uma parede do mesmo apartamento, com três portas, bancada com banqueta, geladeira e armário alto. Imagine uma linha horizontal a 1,50 m do piso: ela cruza as portas, passa acima da bancada e abaixo do armário

Onde a regra falha

É nos casos em que o 1,50 m não funciona que a regra deixa de ser decoreba.

A janela alta do banheiro. Quando o peitoril fica acima de 1,50 m, o plano passa por baixo da janela. Na planta, a parede aparece cheia. O desenho mostra um banheiro sem ventilação, e a obra tem uma janela. Há duas saídas: subir o plano naquele trecho, ou manter o plano e desenhar a janela tracejada, como projeção, com a altura do peitoril anotada. A segunda é a mais usada.

O mezanino. Um plano a 1,50 m do piso de baixo não enxerga o mezanino, que está acima dele. Cada nível tem a própria planta, cortada a 1,50 m do próprio piso. Na planta de baixo, o mezanino entra tracejado. Na de cima, o vazio aparece indicado.

O pé-direito duplo. A janela que começa a 3 m do chão não é alcançada pelo plano do térreo. Quem explica essa janela é o corte vertical e a elevação. A planta só avisa que ela existe, com projeção e nota.

A regra de verdade, então, não é cortar a 1,50 m. É cortar na altura que mostra as aberturas, e avisar quando algo importante ficou fora do plano. O 1,50 m é só o ponto de partida que funciona na maioria das vezes.

No modelo, o plano se move

No desenho 2D, a altura do corte é uma decisão que você toma de cabeça, linha por linha. Esta janela eu desenho cortada. Esta aqui, tracejada. Cada linha é uma interpretação sua do plano, e nada garante que todas sejam coerentes entre si.

No modelo 3D, o corte é um objeto. No SketchUp, é um plano de seção que você posiciona a 1,50 m, e a planta é o que ele encontra. Precisa mostrar a janela alta do banheiro? Suba o plano, ou crie uma cena só para aquele ambiente com o plano mais alto. A planta obedece.

A isométrica que abre este post usa o mesmo recurso. Ali o plano foi posto bem mais alto, acima das portas, porque a intenção era mostrar o ambiente inteiro. O preto no topo das paredes é a superfície que ele cortou. Mesma ferramenta, outra altura, outro desenho.

É assim que as plantas do Lev Layout PRO são feitas: cada planta é uma cena do modelo com o seu plano de corte, e a página do LayOut olha para ela. Saber por que o plano fica a 1,50 m é o que permite tirá-lo de lá quando o projeto pede.

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Equipe LevArquitetura, representação e tecnologia. A voz editorial da Lev Design.

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